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Luta contra mieloma múltiplo ganha nova droga

Estudo mostra que tratamento já aprovado pela Anvisa pode prolongar e melhorar a vida das vítimas do segundo tipo de câncer de sangue mais comum.

Um idoso chega a uma emergência de hospital com uma fratura. Também reclama de falta de apetite. O cenário parece comum para quem tem seus 70 ou 80 anos de idade; no entanto, são esses os dois principais sintomas do mieloma múltiplo, um tipo de câncer que se desenvolve nos glóbulos brancos produzidos na medula óssea e afeta principalmente idosos.

De difícil diagnóstico e grande impacto na qualidade de vida — porque deixa os ossos extremamente fracos —, o mieloma tinha escassas opções de tratamento cerca de duas décadas atrás. Nessa época, o paciente vivia em torno de três anos; hoje, vive uma média de dez.

Esse cenário está prestes a passar por uma mudança radical: um novo estudo, apresentado no maior congresso de oncologia do mundo, mostrou uma terapia capaz de reduzir em 53% o risco de a doença progredir ou de o paciente morrer.

Hoje, um dos tratamentos mais usados para atacar o mieloma é um coquetel que reúne três drogas. O que os pesquisadores fizeram foi investigar os efeitos da inclusão de uma quarta droga — o daratumumabe — a essa combinação. Mais de mil pessoas participaram do estudo, realizado ao longo de dois anos. A substância contribuiu para aumentar a expectativa de vida do paciente sem avanço da doença e também o fez ter uma resposta de mais qualidade.

Os achados da pesquisa foram divulgados no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, na sigla em inglês), realizado em Chicago (EUA), e publicados na edição on-line do “Lancet”, um dos periódicos científicos mais prestigiados do mundo.

Principal autor do estudo, o francês Philippe Moreau, do Serviço de Hematologia Clínica da Universidade de Nantes, considera que a nova combinação de drogas — batizada pela sigla de D-VTd — “mudará o jogo” no tratamento do mieloma.

— Esse estudo provavelmente será um divisor de águas, porque nós vamos introduzir sistematicamente a droga daratumumabe e, potencialmente, será possível curar alguns pacientes — disse o francês durante o congresso.

Moreau acredita que são grandes as chances de a nova combinação ser implantada em breve nos sistemas de saúde ao redor do mundo. O Brasil já deu o primeiro passo: a Anvisa foi a primeira agência reguladora a aprovar a combinação D-VTd para o tratamento do mieloma, com base nos dados revelados pela pesquisa liderada por Moreau. A liberação foi publicada no mês passado no Diário Oficial da União, antes mesmo de o estudo ser divulgado oficialmente.

Diretor da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH), Angelo Maiolino, que participou do congresso da Asco e não teve envolvimento no estudo, destaca o pioneirismo do Brasil:

— O daratumumabe já era aprovado para outras situações, mas essa combinação dele com outras três drogas é inédita. A análise técnica da Anvisa foi extremamente bem feita e ágil. Antecedeu até mesmo as agências regulatória europeias e americana. Essa aprovação representa um progresso impressionante.

O novo tratamento já pode ser usado no sistema de saúde privado do país, mas ainda depende de etapas burocráticas até ser coberto por planos de saúde e incorporado no SUS.

— Esse estudo provavelmente será um divisor de águas, porque nós vamos introduzir sistematicamente a droga daratumumabe e, potencialmente, será possível curar alguns pacientes — disse o francês durante o congresso.

Moreau acredita que são grandes as chances de a nova combinação ser implantada em breve nos sistemas de saúde ao redor do mundo. O Brasil já deu o primeiro passo: a Anvisa foi a primeira agência reguladora a aprovar a combinação D-VTd para o tratamento do mieloma, com base nos dados revelados pela pesquisa liderada por Moreau. A liberação foi publicada no mês passado no Diário Oficial da União, antes mesmo de o estudo ser divulgado oficialmente.

Diretor da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH), Angelo Maiolino, que participou do congresso da Asco e não teve envolvimento no estudo, destaca o pioneirismo do Brasil:

— O daratumumabe já era aprovado para outras situações, mas essa combinação dele com outras três drogas é inédita. A análise técnica da Anvisa foi extremamente bem feita e ágil. Antecedeu até mesmo as agências regulatória europeias e americana. Essa aprovação representa um progresso impressionante.

O novo tratamento já pode ser usado no sistema de saúde privado do país, mas ainda depende de etapas burocráticas até ser coberto por planos de saúde e incorporado no SUS.

Fonte: https://oglobo.globo.com/sociedade

Foto: Latinstock/Science VU/W. J. Johnson

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